sexta-feira, 18 de maio de 2012
Um início
A vida é um bater de asas, um soltar amarras, um querer estar.
A vida é o culto utópico de redenção de nós mesmos, o descobrir do oculto que esteve óbvio e o encobrir de verdades que não sabemos enxergar.
Viver é tecer pontos que não se interligam, é rabiscar desenhos cujo resultado não se antecipa, é cantar canções para o alto na esperança de que se façam ouvir em nosso íntimo.
Vivos, somos estrada de mão dupla com destino a horizontes longínquos, habitados de paradas que nos abastecem de ar - que nos tiram o ar. Vivos, somos pontos de luz vistos da estratosfera, somos focos de calor que aquece um irmão, somos aroma de infância que acalenta sustos.
Nos estendemos alegremente, mãos em mãos, pés em casas novas, vozes pelo mundo: mundo que é de todos, que é de outro, que é de cada um. Nos encolhemos tristemente. Vãos, quando não vivos; sãos, quando não soltos; mitos, quando perfeitos.
A vida é o assombro que nos amarra pelo calcanhar. A garganta seca que nos faz verter lágrimas pelo peito. O desassossego do abraço que parte e chega, sem cessar.
segunda-feira, 14 de maio de 2012
O Romântico
O que é ser romântico ?
Bombons, velas, corações e declarações?
Não. Nada de pseudo-romantismo de massa fabricado. Ser romântico é acreditar no amor.
E o que é acreditar no amor?
Acreditar no amor é dar a ele uma chance real para que aconteça, floresça, cresça e ganhe terreno em nós. Um terreno fértil, limpo e bem cuidado, que fique claro.
Mas o que é que seria dar uma chance real?
Dar uma chance, mesmo, verdadeiramente, inteiramente, completamente; de corpo, alma, mente e sentidos, sem teorizar , relativizar e condicionar o amor e sua necessidade de absolutismos. Dar tudo e com tudo o que tiver para dar. Sem senão, sem sabotar-se para que o amor sucumba à tirania de nossos regulamentos e argumentos rasos.
Querer compreender os dilemas do amado, estar disponível para seus medos e dúvidas, expor-se de maneira clara e íntegra mesmo que, estrategicamente, esta não seja a melhor manobra.
Não vender o amor barato. Pensando bem..., não vender o amor a preço algum. E enxergar o amor por este viés impagável, nada mais é do que criar para si um único e nobre mandamento: - Não prostituirás teu amor, contaminando-o com conceitos criados pela mente e todo o uso de razão que isto implica. Amarás. Colocar-se-á à disposição do encontro, sem esquecer-se da inteireza do seu próprio ser amante.
É este o genuíno romântico, em toda sua essência e glória.
sexta-feira, 4 de maio de 2012
segunda-feira, 30 de abril de 2012
Aos 33
O movimento da vida foi feito para se confiar, apreciar e agradecer. Não para julgar, limitar, analisar. Pessoas nos tocam a vida a todo tempo, em larga ou estreita escala, de todas as maneiras, e é para esta troca que estamos vivos. Para conhecer e se dar a conhecer, iluminar e se permitir iluminar, gostar e se deixar gostar, perceber e ser percebido. Não importa como, nem quanto. Só importa abraçar sempre as oportunidades de elevar nossa humanidade ao patamar de plenitude. Enxergar de verdade, sentir de verdade, querer de verdade, doar de verdade. Só a inteireza justifica o viver.
domingo, 29 de abril de 2012
O melhor ângulo
Às vezes me sinto tão tentada a esquecer a parte feia - ah, a onipresente parte feia - e mandar uma cegueira seletiva no horizonte, que chega a ser comovente até para mim mesma.
Nada mais singelo do que alguém que quer acreditar no inacreditável. Tanger o intangível. Explicar o inexplicável.
Tocante.
Suicida, mas tocante.
Nada mais singelo do que alguém que quer acreditar no inacreditável. Tanger o intangível. Explicar o inexplicável.
Tocante.
Suicida, mas tocante.
quinta-feira, 26 de abril de 2012
Simples
A simplicidade não combina com algumas coisas.
Deveria, mas não combina com tudo.
Poderia, mas não se associa a alguns momentos.
Gostaria, mas destoa de certos contextos.
Simplicidade não combina com belos dias de outono, os quais, antes festivos, agora deixam à reflexão de meia dúzia de porquês solitários. Não combina com cidades soltas no mapa, as quais, por já terem sentido o sabor de dividir-se, hoje montam-se de cenas de espera. Não combina não, certamente não combina, com pétalas caídas na terra do vaso, quando deveriam ter mantido-se na resplandecência de sua glória colorida.
terça-feira, 24 de abril de 2012
Nós, os contadores de histórias
Se tão mais próximos nos sentimos, instantaneamente, daqueles que se dispõem a contar suas histórias particulares de vida, tão menos solitários se fazem os nossos dramas pessoais, e tão mais aquecidos e cuidados parecem os nossos viveres ao encontrar alguém aberto a compartilhar de si e do que lhe vai no mais íntimo da essência; porque tantos de nós ainda relutam em deixar vir à tona os maravilhosos aspectos de suas trajetórias não embalados em perfeição? Aqueles sem fita colorida e papel celofane, que saíram diferentemente do previsto, os que não condizem com a estrutura social, que não se assemelham em nada à vida do vizinho, os que podem gerar espanto, divergência, pranto.
Verdadeiramente, sabemos que sequer um dos aspectos de nossa trajetória é embalado em perfeição, pois nós não o somos, e mesmo assim, nada satisfaz mais algumas almas do que poder mostrar, mesmo por algum momento, uma vida de porta-retrato, aquela onde os sorrisos estão corretos, a disposição das pessoas e demais elementos da imagem está harmônica, as roupas foram escolhidas com antecedência e planejamento, o plano de fundo dialoga homogeneamente com os protagonistas. Tudo à espera do "xis" que imortalizará a perfeição da cena.
Para quê? Para quem?
Se tão bela e louca é nossa humanidade destoante, nossos passados dissonantes, nossos hinos desafinados, nossos sonhos diferentes. Se não há nada mais estimulante do que o encontro e a troca de ideias - e só podemos nos encontrar e trocar ideias com quem se deixa vir à tona, lá do fundo dos seus receios e inadequações - , se nos sentimos mais nós mesmos à medida em que expandimos nossa percepção do quanto cada um é ímpar, e por isto, um distinto universo paralelo completo em si próprio, intenso de nuances a nos apresentar, fazendo-nos, portanto, mais parecidos uns com os outros; como desenharmo-nos todos nestes porta-retratos massificados onde ninguém realmente deseja morar?
São as nossas histórias que nos tornam co-pilotos automáticos das viagens alheias. Escolhemos caminho e caminhar, e cruzamo-nos com os caminhantes outros que desnudam partes incomparáveis e mágicas de suas fábulas diante dos olhos e ouvidos atentos. E que pena irreparável cruzar com um caminhante que passe calado por nosso entorno, que se tema repartir por insegurança de seus ditos fracassos, aqueles eventos que ninguém aplaudiu e, portanto, murcharam sob tão equivocada denominação. E que tragédia cruzar então, com um caminhante que discorra desenvoltamente apenas sobre todas as coisas magníficas nas quais acertou sempre, não revelando um décimo de seu espírito. Porque a tragédia, não está nas catástrofes que dizimam vidas, nos crimes que abreviam pessoas, ou nos sentimentos que desnorteiam realidades. A tragédia verdadeira do nosso viver está em passar obstinadamente mudos, surdos ou cegos, por tão ricos contadores de histórias que se esbarram em nós diariamente, sem que alguns deles tenham aprendido, ao deixar nossa presença, ao menos uma história real - e quanto mais íntima, mais real - das tantas partes de nós que podemos emprestar.
segunda-feira, 23 de abril de 2012
sábado, 21 de abril de 2012
Centauro de Guerra
Não conseguirmos sequer nos falar, chegar a ponto tal de incomunicação em que toda palavra dita parece absurdamente fora do espaço do sentimento bonito que nutri e pratiquei, sempre foi para mim como o pior dos pesadelos feito carne. Ou verbo.
Como quando aquele fantasma mais feio, mais maligno, sai de um armário que não deveria existir.
Como se alguém que pareço ter sempre conhecido, muito embora não tenha e isto seja um devaneio, transformasse-se no lado oposto do amor, num centauro impiedoso com flechas de fel nas mãos, e blocos de cal no coração. Inatingível, mas não porque lhe desejaria atingir, apenas porque lhe precisaria tocar.
Um longe tão longe que desafia as leis da geografia ao fazer o mais perto, distante; uma distância que não faz menção de encontrar retorno. Camuflando-o em roupa de guerra, mas sem me deixar saber se fora sempre esta a veste de seu verdadeiro eu, o qual talvez antes permanecesse oculto.
Um movimento anti-natural. Rotação e translação anti-horários, causando que o dia inicie pela noite.
Eu de mochila
Essa ideia de poder colocar todas as coisas que importam num pequeno pacote, e ir, a qualquer hora, para qualquer lugar, começou a me conquistar muito. O movimento da ida é belo. E simbolizei estas intenções na singela figura de uma mochila. Ter uma mochila começou a me interessar mais do que nunca.
sexta-feira, 20 de abril de 2012
Cor de Mercado
Quando faltar alguma cor
ou o tom desafinar
basta trocar - papel, pincel
mais ou nova cor comprar!
ou o tom desafinar
basta trocar - papel, pincel
mais ou nova cor comprar!
Tem felicidade em
qualquer mercado.
escolha o tipo
e vá buscar.
quarta-feira, 11 de abril de 2012
Autônomos
Pensar que tudo é obra do acaso não é tão simplista quanto pensar que tudo é providência divina?
Em última estância, nosso objetivo talvez seja o de ser autônomos como seres, em todos os sentidos. E para isto, necessitaremos estar libertos de absolutamente todos os dogmas já que, por definição, na autonomia eles não seriam mais necessários.
A evolução possivelmente salva. E enquanto não salva, trava discussões de oponentes absolutistas.
Um religioso - por assim dizer, já que muitos espiritualistas ou crentes não são religiosos no sentido convencional - nada mais é do que alguém que quer reconhecer a presença do imponderável em nossas vidas, ainda que frequentemente use métodos completamente defasados e ignorantes para fazê-lo.
Um ateu - por assim dizer, já que muitos ateus assim se denominam quase por falta de opção e sem ter plena convicção do acaso em nossas vidas - nada mais é do que alguém que não compactua com a ideia de que sejamos como teleguiados por conceitos de dominação de uma força suprema.
Me parece que nenhum dos dois grupos pode sustentar-se sozinho em suas convicções, pois a ambas cabem questionamentos, e é este questionamento afinal, a força que nos mantém caminhando. Evoluindo.
Se nossa finalidade for mesmo a autonomia de pensamento, de moral, de sentimento, de entendimento, de convivência, de decisão, o que nos aguarda pela frente como raça humana, e estamos há anos luz de ver este desfecho em nosso tempo, é a abertura e expansão de percepção e compreensão dos nossos valores e subconceitos encerrados em certezas sobre as quais não temos a mínima condição de nos apoiar.
segunda-feira, 9 de abril de 2012
Meu Amado Imprevisível
Se eu viver cem anos ainda será pouco para organizar e interpretar os pensamentos e conceitos sobre as mil - ou zero - razões que fazem nascer um amor. Posso ficar horas maquinando sobre porque A escolheu B , ou C preferiu ficar com D. O que é que funciona, o que encanta, o que atrai, o que atrita, o que separa, e o que, afinal, faz com A seja definitivo (enquanto dure) na vida de B, ao invés de qualquer uma das dezenas de outras alternativas que poderia escolher. Mesmo que o mar não esteja para peixe, e estas dezenas aí, na prática não passem de uns dois gatos pingados, sempre haveria a possibilidade de ser diferente se assim não fosse, sacou? Algum de nós poderia ter virado à esquerda ao invés de direita em qualquer momento do caminho, e feita esta escolha diferente, com certeza criaria o potencial e a probabilidade de mudar todos os desfechos e encontros seguintes, por anos a fio, ou por uma vida inteira.
Cada pessoa, obviamente, é muito única; um universo, como dizem os melhores chavões. Uma combinação específica, particular e altamente peculiar, de tendências, desejos, coragens, medos, modos, silêncios, fugas, risos, marcas, sonhos, cores, tudo. Ingredientes que repelem ou estimulam o contato, sem que a gente nem mesmo se dê conta, em muitas das vezes. Quando a ficha cai, pimba! A paixão já tomou conta - sorrateira, esta desclassificada - e não avisou ninguém, não pediu licença, não perguntou se a gente queria ou se estava podendo. E paixão, para virar amor - não que um substitua ou exclua o outro - você sabe, é só querer. E cuidar.
Em meio a todas possibilidades e equações, tantas vezes esdrúxulas , que o amor nos reserva (para não dizer nos apronta), sempre se pode encontrar, com cautelosa investigação, alguns ou um, que seja, denominador comum dentre aqueles que nos despertaram para esta viagem. E nesta hora se vê de tudo. Tudo mesmo. O que as pessoas procuram, ou não procuram, em alguém para dividir os sonhos, vai desde os óbvios predicados físicos e monetários, até os fetiches mais improváveis e inexplicáveis.
Neste ponto, creio que seja seguro dizer com base em nada além de meu achômetro, que boa parcela das mulheres - vou falar de quem desconheço um pouco menos - gosta de um homem que lhe transmita segurança. E falo de segurança emocional mesmo, deixando a grana de lado por hoje. E o que proporciona a tal segurança emocional, a meu modesto ver, é a confiabilidade emocional. E o que provoca a confiabilidade emocional é saber, ou ter uma boa ideia, de como ele irá se comportar. Em outras palavras, é um homem previsível.
Tenho grandes suspeitas de que meu denominador comum nesta questão, tenha sido um quase oposto disto. Quase, porque seria exagerado e equivocado dizer que imprevisibilidade, por si, me encanta. Pelo contrário, a imprevisibilidade pela imprevisibilidade apenas, me cansa. O que encanta, deslumbra, convida, toca, envolve, move, é o homem dono de si mesmo. E este não é espécime para desavisadas, nem cautelosas, nem moças que procuram um relacionamento meramente pela segurança que ele possa trazer.
O homem dono de si mesmo provavelmente vai te irritar. É quase certo que irá te decepcionar em dados momentos. É possível que ele te leve a questionar sua escolha e sentimento. A reação mais comum é que te brinde com reticências, interrogações e exclamações (não é tão dado a vírgulas e pontos finais). Este, é um tipo que vai de encontro ao que acredita, não sem antes - e durante - errar muito, e manifestar tantos defeitos quanto qualquer outro, ou até mais defeitos do que qualquer outro. Isto, é claro, considerando que ele esteja lidando com uma também dona de si mesma, mulher. Haverá divergências, haverá conflitos, haverá incompreensões. Tudo superável, na melhor das hipóteses, porque desencontros não implicam anexar ofensas, desrespeito e desamor.
Esta criatura é um tipo que se lança, se expõe, se coloca, se retira, diz, cala, cria, e assim, constrói sua metade do mundo a dois, porque mesmo com ela, não deixa de ter também o seu mundo particular, o qual traz cheio de uma bela efervescência íntima para abastecer a relação.
Não raro, ouço periodicamente alguma mulher elogiar seu homem porque ele faz tudo o que ela quer. E eu não tenho nada contra estar satisfeita num relacionamento, que fique claro. Mas não consigo evitar, quando ouço comentários assim, pensar que alguém está se anulando neste casal. Que tipo de homem sem personalidade é este que consegue fazer tudo conforme deseja sua ama? Será possível que eles nunca discordem em nada? Ou então que estejam permanentemente preparados para realizar as vontades de seu companheiro? Com amor, quase nada cansa, eu sei. Mas será que a individualidade sai pela mesma porta que entra a relação? Pode ser uma bobagem sem tamanho questionar isto, mas sempre fico à deriva com este tipo de comentário.
Outro campeão de preferência, e este eu tenho medo (mesmo), é o bonzinho. A parcela de mulheres que elogia seu amor porque ele é muito "bonzinho" não está no gibi. Argh! Tenha dó pessoa, que bonzinho é cachorrinho! Não confundir, veja bem, com o homem bom. Que é outro, totalmente outro. Talvez o bonzinho acabe sendo uma variação, mais do mesmo, daquele que faz tudo o que ela deseja e espera. Sem criticar o relacionamento de ninguém, não sei como estas pessoa sobrevivem. Talvez possuam um grau de abnegação que eu nem sonho e, possivelmente, não alcance tão cedo.
Mas, e é claro que aqui entra o mas, também não posso evitar imaginar, que mulher tão insegura de si é esta que não consegue lidar senão, com aquele que é e faz exatamente aquilo que está no script.
Não sendo sinônimo de egoísmo, autossuficiência, descuido, desmando ou desatenção, esta, por assim dizer, imprevisibilidade, que na verdade não é mais do que autenticidade, é o grande exercício ao qual todos nós deveríamos nos propor. E o resultado é uma aura absolutamente magnética, porque nada mais atraente do que alguém que veio ao mundo apenas, para ser ele mesmo. E sim, este querido autêntico, pode sim satisfazer a sua amada, mimar e fazer vontades; enquanto ela também estará lhe fazendo o mesmo, pois, sem dúvida, este é um dos grandes baratos e delícias de viver a dois. Mas dentro daquilo que ele é, e não do que o "manual de ética, moral e bons costumes do relacionamento" recita. Sem massificação do amor, só com trocas intensamente e inteiramente reais.
A inteligência num homem é a coisa mais linda, e esta inteligência, em seu sentido mais elaborado, profundo e completo, nunca deixará de abranger também a sensibilidade que o levará a fazer-se presente, desejável, notado e sentido. À sua maneira. Não como se prevê ou espera, mas como ele , e só ele no mundo, sabe fazer.
sábado, 31 de março de 2012
Beatriz
Tal qual criança mimada
porque a vida não colocou-me no colo
o desejo secreto
do apagar da vela de aniversário.
Porque as coisas não foram como
no sonho
Porque o desfecho não desenhou-se
como pedira
Porque você é você,
eu sou eu
a vida é tão somente a vida,
quando quisera um filme.
Cheguei ao segundo, terceiro ato,
Fato.
Não há borracha para
a prévia atuação.
Escondeu-me na coxia
do palco reservado
aos protagonistas.
Figurei até o aplauso final.
sexta-feira, 30 de março de 2012
Saramagueando
Essa "coisa que não tem nome" que "é o que somos", muito saramagamente, anda me pegando pelo pé.
Tem horas que penso ser o outono, tem horas que penso ser o ócio, tem horas que penso ser saudade. E nenhum pensômetro responde bem.
É este o momento que a parcela não falada e não "falável" do que somos mostra sua cara e força. A comunicação que damos e recebemos sem "saber", porque o saber é teórico e a comunicação é orgânica. A troca é orgânica.
O que se capta do universo ao nosso redor, e além de nós, é um grito silencioso de tudo o que emana de nosso ser. Vozes sem voz do que ainda não conseguimos falar. Percepções. Pressentimentos.
Erupções vulcânicas de nossos guardados.
quinta-feira, 29 de março de 2012
Hipótese
Eu não sei se seria a mesma
assim, deste mesmo jeitinho
com o mesmo tom, o mesmo riso,
se seriam idênticos meus ais
Se gostaria dos mesmos sabores
das mesmas canções e odores
se acharia as mesmas graças
ou teria medos iguais
Se amaria deste tamanho
horizontes, águas, ares
quem eu seria , sem a melancolia
deste rio margeando-me a melodia.
Te amo, Piracicaba!
assim, deste mesmo jeitinho
com o mesmo tom, o mesmo riso,
se seriam idênticos meus ais
Se gostaria dos mesmos sabores
das mesmas canções e odores
se acharia as mesmas graças
ou teria medos iguais
Se amaria deste tamanho
horizontes, águas, ares
quem eu seria , sem a melancolia
deste rio margeando-me a melodia.
Te amo, Piracicaba!
terça-feira, 27 de março de 2012
Perspectiva
Muito da paixão é o que nossa própria mente constrói.
Muito do amor é o que nossa própria essência enfrenta para desconstruir.
segunda-feira, 19 de março de 2012
Da aproximação do Outono
Não preciso do calendário
não preciso saber as horas, nem o ano, nem o mês
Basta abrir os olhos, os ouvidos
perceber os poros e ler a pele
Sinto a aproximação do outono
porque sei que o sol brilha diferente
um calor mais convidativo, menos brutal
Uma luz que brilha em maior contraste
Sinto
porque arremesso-me
para tantos lugares
dentro desta nova estação
Sinto
porque arremesso-me
para tantos lugares
dentro desta nova estação
Celeste azul que chama a elevar a face
e sentir a atmosfera beijar-me o rosto
Sinto quando acordo, sinto quando durmo
sinto aos domingos, feriados santos
Outono que se anuncia tão sutil e tão intenso
que antes de chegar-se, já chegou
que nos antecipa ao que está por vir, e afina
audição e sintonias
Resfria a brisa e ameniza os raios
mas, misteriosamente, aguça os sentidos e a linguagem
que não usa palavras
Liga os sensores, os motores da alma
Outono ainda virando a esquina
e neste meu mundo, as estampas outonais
já pintaram todas as paredes
Já contaram da estação que aportou.
quinta-feira, 15 de março de 2012
Para roubar a alma
Tudo tem alma
vida, calma, cor e treva
tudo eleva e derruba
faz definhar, cansa
alegra, afina, toca, brilha
assusta, custa, acorda
encanta.
Ama e gera
qualquer coisa em nós
gera sóis.
Porto, caos, asas
léguas, línguas, lemas
tudo, em si, faz cenas.
fotografias todas de minha autoria, tiradas em Limeira/SP
sexta-feira, 20 de janeiro de 2012
Regresso
Hoje o sol ingressa em Aquário
e tantas belezas o Astral nos traz
Meu coração ingressa em viagens utópicas
rumo a destinos que ninguém conhece mais
rumo a estações desertas, mas ruma
ingressa numa galáxia pintada
pára, olha, salta
salta, olha, pára no ar
Onde o coração ingressa tem veias abertas
onde o coração recua tem planos infinitos
pobre coração, escravo dos humores da mente
mas Senhor soberano dos caminhos.
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