Pensei no que seria
aquele bebezinho
do meu sonho
Risonho, rosado, feliz
estava num hospital,
mas ria, e brincava
Era luz e calor
e me fazia tão bem...
Sonho deve ser
a nossa vida quando não estamos olhando.
Quinta-feira, 9 de Julho de 2009
Sábado, 27 de Junho de 2009
Grandes Crianças e Crianças Grandes
Aos 29, todas as viagens pelo mundo estão muito próximas de acontecer, a qualquer momento. Todos os amores infinitos dão os braços aos nossos vôos. Todas as outras pessoas sonham grande, igual ou diferente de nós. Já sabemos um tanto do que não queremos, e temos certezas absolutas. Já conseguimos enxergar mais claramente os contornos da pessoa que nos receberá nos futuro. O mesmo sorriso, as mesmas mãos, a mesma voz. Seremos nós, em outro, e esta idéia nos parece próxima e real. A qualquer momento, o dia em que seremos adultos poderá nascer.
De repente alguém no Cosmo decide que é a hora de crescer, e então, chegam os trinta. Os trinta, de cara, te cobram (e eu nunca gostei de cobranças, prefiro as conquistas dos meus dias).Cobram que você seja alguém, que tenha alguém, que saiba de onde veio e para onde deseja ir. Cobram que você cuide da saúde, da forma, dos dentes, das unhas, da lingerie. Cobram casa, comida e roupa lavada. Cara lavada, só com muita coragem. Aos trinta, você deve, obrigatoriamente, ser bem-resolvido, bem-sucedido, bem-amado, safo, sociável, letrado, versado, descolado e bom de cama. Já deve ter muitas diversas histórias para contar, ou ao menos, um convincente repertório de mentiras na manga.
Você é chamado, oficialmente (finalmente), de adulto. Não adianta mais recorrer ao coringa do descomprometimento da juventude. Você agora é homem - ou mulher - e trate de portar-se como tal.
Eu gostava de ser criança. E aos vinte e nove, eu ainda era. O mundo ainda não me tratava como alguém que tinha que crescer. Era inocente, boa, boba, displicente, irreverente, semente de mim. Minhas maldades eram todas biodegradáveis. Não me incomodava dizer a idade, nem comer sobremesa. Me incomodava sair só, ou ser comparada com outras pessoas.
Hoje, não. Hoje, eu tenho trinta e o tempo urge. Deve ser preciso crescer, para aprender a ser criança de novo, e de novo, e de novo. Deve ser preciso mesmo, o inferno para o céu, o medo para a coragem, a solidão para o encontro, a perda para o ganho, o não para o sim, o nada para o tudo.
A vida, com vinte e nove, com trinta, com menos ou mais, às vezes muda mesmo num segundo. Noutras vezes, dá grandes voltas, grandes guinadas, com um passo atrás do outro, depois de muitas velas em cima do bolo. Depois de vários quilos de sal comidos, e vários quilos de açúcar degustados.
Mas eu tinha um bom motivo para gostar de ter 29: sua recorrente impunidade. Lá, eu ainda não sabia (de verdade), que o show tem mesmo que continuar. Se chove, se faz sol, se adoeço, se fico sem almoço, se perco a hora (ou o dia), se falho, se crio, se me assusto, se me supero, se me oponho. Tem que continuar.
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Terça-feira, 23 de Junho de 2009
Make-believe
São as melhores paisagens que encantam
Curvas e esquinas, montes, catedrais, gente
Mundo novo, de caminhar com pétalas e pirulitos de amora
Eu nem vi o mar.
Cheiros de azeites, cores rubras, amizade
Na cafeteria, com o trocado,
peguei o bonde, sem saber do ponto final
Não quis conhecer a parada.
Tinha mais que um beijo na cidade
tinha um sonho, uma promessa de avelã
"laços tão gostosos que supúnhamos de seda" *
e eu indo, como o mar, e eu vindo.
É viagem que faz crescer os cílios e suar as palmas
Rigidez tem nome mau, sal grosso, varal vazio
Pendurei-me na roda gigante e saltei para o cavalo
onde girava um carrossel
Sou indignada, não-linear, sem pedigree
como as fadas - gnomos de asas e um pouco mais bonitas
Melancolia não viaja, fica no cais
Ave, monumento, chama póstuma
Lago não tem vez, não faz onda nem rebenta.
Só alcanço os galhos mais altos, e as frutas.
Quando cheguei, estava nada no lugar
casei com a órbita que me lambeu, e abraçou.
Curvas e esquinas, montes, catedrais, gente
Mundo novo, de caminhar com pétalas e pirulitos de amora
Eu nem vi o mar.
Cheiros de azeites, cores rubras, amizade
Na cafeteria, com o trocado,
peguei o bonde, sem saber do ponto final
Não quis conhecer a parada.
Tinha mais que um beijo na cidade
tinha um sonho, uma promessa de avelã
"laços tão gostosos que supúnhamos de seda" *
e eu indo, como o mar, e eu vindo.
É viagem que faz crescer os cílios e suar as palmas
Rigidez tem nome mau, sal grosso, varal vazio
Pendurei-me na roda gigante e saltei para o cavalo
onde girava um carrossel
Sou indignada, não-linear, sem pedigree
como as fadas - gnomos de asas e um pouco mais bonitas
Melancolia não viaja, fica no cais
Ave, monumento, chama póstuma
Lago não tem vez, não faz onda nem rebenta.
Só alcanço os galhos mais altos, e as frutas.
Quando cheguei, estava nada no lugar
casei com a órbita que me lambeu, e abraçou.
(* frase de Edson Marques)
Sábado, 13 de Junho de 2009
Pedaços
Se distancia
a voz
do coração
algumas vezes
Algumas vezes,
o coração se enche
enquanto a boca
silencia
Se enche, algumas vezes
de vazios e ventanias
Se enche
de espaços e portas fechadas
De nãos e dores
se enche. Preenche
de tudo quanto
não se quer
Se quer?
sequer um aceno,
um sim, mãos
ou um passeio qualquer pela tarde
Uma dança, uma vida
Algumas vezes, tudo é nada
diante do tudo
que parte e falta.
.
a voz
do coração
algumas vezes
Algumas vezes,
o coração se enche
enquanto a boca
silencia
Se enche, algumas vezes
de vazios e ventanias
Se enche
de espaços e portas fechadas
De nãos e dores
se enche. Preenche
de tudo quanto
não se quer
Se quer?
sequer um aceno,
um sim, mãos
ou um passeio qualquer pela tarde
Uma dança, uma vida
Algumas vezes, tudo é nada
diante do tudo
que parte e falta.
.
Quarta-feira, 10 de Junho de 2009
Aos (E)namorados

Das muitas leituras interessantes, ricas, belas e necessárias com as quais tenho me encontrado ultimamente, escolhi (sem autorização prévia, ops) este texto da Loba Euza, postado recentemente em seu blog, em homenagem aos (e)namorados de todas as idades e lugares, para lembrar que os grandes e verdadeiros amores começam sempre dentro de - e por - nós mesmos.
♥
Carta a Drummond
(com cópia a quem interessar possa)
Poeta,
você foi brilhante ao se declarar amante do amor em seu poema “As sem-razões do Amor”. Ainda que eu tenha dificuldades para te ver amando assim (no seu Poema das sete faces, seu anjo torto contradiz as sem-razões) não poderia juntar tanta poesia de forma mais bonita do que o fez.
Mas, me perdoe, não posso concordar com alguns dos seus versos. Não, poeta. É justamente porque amo bastante e demais a mim é que sou capaz deste amor que é dado de graça. É por me saber amante de mim mesma é que sou capaz de dar-me a quem nem sempre sabe ser amante. É por este amor a mim que amo e me dou de uma forma absoluta. E dando-me, sou capaz de aceitar o outro e respeitá-lo no seu amor singular. Pois é, Poeta, não posso amar alguém mais do que a mim. Sabe por que, poeta? Porque eu me esvaziaria se não tivesse no meu próprio amor a fonte de energia que supre o amor pelo outro. Esta energia que me faz ser parceira, ser companheira, ser igual e ser plural.
Olha, eu verdadeiramente acho lindo este amor que nada exige a não ser sua própria existência. Mas, não sendo poeta nem passando perto de ser abnegada, quero mais do amor, poeta. Quero meu amor se alimentando do amor do outro. Eu o quero espalhando-se no outro e provocando nele a erupção de um vulcão que explodirá em mim, realimentando o meu amor. Então, poeta, o amor para mim é troca. É feliz e forte ao se conjugar em outro amor.
Mas termino em comunhão contigo:
Amor é primo da morte,
E da morte vencedor,
Por mais que o matem (e matam)
A cada instante de amor.
[Loba Euza / Carlos Drummond de Andrade]
♥
Quarta-feira, 27 de Maio de 2009
Depois do pôr-do-sol
Já era um lugar sagrado.
De lá eu conseguia ver a cidade
de um jeito novo
Não é isso que seguimos buscando?
Um jeito novo, um olhar novo?
O horizonte se pintava de cores ainda mais belas
revelava fendas incríveis no céu
quando claro, quando cinza
A luz ia descansar aos poucos
e eu assistia ao show.
As lâmpadas se acendiam lentamente
casas e postes se escondiam na penumbra
enquanto o céu escurecia, sereno
O sol se punha, como eu
Os prédios me apontavam o centro, mas na distância
refletiam silêncio
Me ocorreu por um instante que ali
eu pintava um quadro com a mente,
pincelando palavras.
E a beleza estava no contraste
De um lado, a cidade de contornos tranquilos
o horizonte, a paz que eu procurava
Do outro lado, a rodovia que eu quase
já aprendera a amar
Sempre agitada, de ônibus constantes
chegando para trazer alguém.
Como deixar de reconhecer a majestade
deste pedaço privilegiado de terra?
Me fazia querer uma casa
dentro daquela exata moldura.
Algo simples, por enquanto apenas uma casa para um
onde o espetáculo ficaria para as vistas em suas janelas.
No contrário desta mansa comtemplação
eu via os veículos rápidos, impiedosos
colocando farinha e fermento
em meus ansiosos sonhos de viajar
Era imediato o desejo de sair pela rodovia
e seguir, sem destino
- Vamos? Me pedia o pensamento
Forças estranhas. Ambas.
Mansidão e ebulição.
Simbolicamente, quando me sentava ali
eu não pertencia a nenhuma delas
(não-pertencer é também uma força
que se traveste de incerteza)
Sim, já era um lugar sagrado
recém-descoberto e, possivelmente (infelizmente), transitório
Enquanto tantos procuravam templos
era debaixo daquele céu aberto e urbano
de ventos e paisagens nos olhos,
que eu me encontrava com o meu Deus.
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Segunda-feira, 25 de Maio de 2009
Coisa de Poeta
A grande força da poesia verdadeira está na sua independência. Um tipo de beleza autônomo, que resiste e persiste, sempre.
A poesia está nos olhos de quem a vê. Frequentemente, nos esquecemos.
É como um componente da retina, fixo em sua fluidez.
Não pode ser rígido, do contrário irritaria aos olhos. Flexível e permanente, se revela novamente em cada piscar. Como batidas de um coração.
Sempre que se abre os olhos, lá está, a poesia. Qualidade do que causa emoção, simples como querer viver. Generosa e doce em pequenos gestos, em detalhes quase tolos, em palavras claras, em toques sutis, no amor, na amizade, na surpresa do cotidiano, no cuidado, na atenção, na entrega, no pensamento, em cada possibilidade de sentir o belo, a todo momento.
Em nossos olhos multifocais, fica também neglicenciada a poesia, sob outras ênfases quaisquer que tenhamos escolhido.
Independe, porém, da paisagem, independe do tempo, independe do outro, independe de críticas, dores e temores.
A poesia prevalece , e nos invade sempre que deixamos. Está contida em nós, ainda que dela nos apartemos, ainda que optemos por olhares rígidos e irritados. Somos livres para toda escolha, e enquanto trilhamos outros caminhos, a poesia nos acena, paciente. Sempre estará disposta a retornar aos nossos piscares.
A vida seguirá sem poesia, se assim a quisermos. Os dias se sucederão, tão inexatos quanto nós mesmos, mas a poesia permanecerá eterna aos olhos de quem a quiser acolher.
Sábado, 23 de Maio de 2009
Um quase poema
Temo.
A coragem me esmola.
Anoiteço.
A vida me acalma.
Desfaleço...
Minhas asas me levam para longe, ou perto,
e o dia amanhecendo me tenta acordar.
- Os beija-flores voltam na semana que vem,
e eu os receberei.
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A coragem me esmola.
Anoiteço.
A vida me acalma.
Desfaleço...
Minhas asas me levam para longe, ou perto,
e o dia amanhecendo me tenta acordar.
- Os beija-flores voltam na semana que vem,
e eu os receberei.
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Quarta-feira, 20 de Maio de 2009
Relativismo ou Física para Leigos
Se, de ponto A a ponto B, há uma distância de 30 ou 40 km, bem, então sabemos que de ponto A a ponto B há uma distância de 30 km. Isto estabelecido, fica entendido que ponto B não estará visível a ponto A nesta distância, já que há desníveis, colinas, curvas, obstáculos. Compreende-se que entre ponto A e B, existe uma distância relativamente longa, neste caso.
Mas, se a distância entre ponto A e ponto B é de 300 mts, sem desníveis, sem curvas, sem obstáculos, como é possível que ponto B esteja completamente oculto a ponto A?
Poderíamos ainda, neste caso, considerar como relativamente curta, a distância entre ponto A e ponto B?
Mas, se a distância entre ponto A e ponto B é de 300 mts, sem desníveis, sem curvas, sem obstáculos, como é possível que ponto B esteja completamente oculto a ponto A?
Poderíamos ainda, neste caso, considerar como relativamente curta, a distância entre ponto A e ponto B?
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Quinta-feira, 14 de Maio de 2009
Poesia de Cego

(...) Porque há o inefável. O amor não é um número. A amizade não é. Nem a simpatia. A elegância é algo que flutua. E se Deus tem um número - eu não sei. A esperança também não tem número. Perder uma coisa é inefável: nunca sei onde as coloquei. Inclusive perco até a lista de coisas a não perder. Morte é inefável. Mas a vida também o é. Inclusive ser é de um provisório impalpável. (...)
Clarice Lispector
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Domingo, 3 de Maio de 2009
Igual
Até pensei que eu acordaria diferente.
Mais sábia, mais íntegra, mais certa, mais tranquila, mais mais, mais eu.
Parece que está para acontecer alguma mágica, algum portal para o Mundo Novo. Mas, não.
A mágica, cabe mesmo a mim fazer - todo dia.
A sabedoria é conquista de cada tempo, de cada sim, de cada não, de cada chorar de tanto rir, de cada corte, raso ou fundo.
Pequenas marcas de expressão vão chegando e ficando, denunciando vida vivida. Bom saber o nome de todas elas (talvez isto seja crescer).
Eu não entendo mais dos meus ais (ou uis) hoje, do que aos 20 anos. Mas sei mais como me repartir com eles.
Eu não tenho a casca mais grossa hoje, do que aos 20 anos (embora gostasse de acreditar que sim). Mas sei mais como ajeitar as cicatrizes.
Eu tenho os mesmos olhos, os mesmos medos, a mesma música.
Não tenho os mesmos amores, o mesmo corpo, as mesmas dores.
Tenho mais poesia, mais harmonia, mais dúvidas.
Há a vida de sempre casando com a vida de nunca.
O impensado que acontece, o esperado que desfalece.
Há esse movimento intocável e belo.
Há alma verde-bandeira, hora rubra, hora cinzenta.
Pensamentos in-con-tá-veis. Indomáveis.
Sentimentos doces, azedos, tortos.
Sou sempre este tanto de coisas misturadas, em qualquer tempo.
O que muda, é a forma de mudar.
Mais sábia, mais íntegra, mais certa, mais tranquila, mais mais, mais eu.
Parece que está para acontecer alguma mágica, algum portal para o Mundo Novo. Mas, não.
A mágica, cabe mesmo a mim fazer - todo dia.
A sabedoria é conquista de cada tempo, de cada sim, de cada não, de cada chorar de tanto rir, de cada corte, raso ou fundo.
Pequenas marcas de expressão vão chegando e ficando, denunciando vida vivida. Bom saber o nome de todas elas (talvez isto seja crescer).
Eu não entendo mais dos meus ais (ou uis) hoje, do que aos 20 anos. Mas sei mais como me repartir com eles.
Eu não tenho a casca mais grossa hoje, do que aos 20 anos (embora gostasse de acreditar que sim). Mas sei mais como ajeitar as cicatrizes.
Eu tenho os mesmos olhos, os mesmos medos, a mesma música.
Não tenho os mesmos amores, o mesmo corpo, as mesmas dores.
Tenho mais poesia, mais harmonia, mais dúvidas.
Há a vida de sempre casando com a vida de nunca.
O impensado que acontece, o esperado que desfalece.
Há esse movimento intocável e belo.
Há alma verde-bandeira, hora rubra, hora cinzenta.
Pensamentos in-con-tá-veis. Indomáveis.
Sentimentos doces, azedos, tortos.
Sou sempre este tanto de coisas misturadas, em qualquer tempo.
O que muda, é a forma de mudar.
- O tempo não pára.
- Temos todo o tempo do mundo.
- Tempo rei, transformai as velhas formas do viver.
- Tempo, mano velho, falta um tanto ainda eu sei, pra você correr macio.
- Temos todo o tempo do mundo.
- Tempo rei, transformai as velhas formas do viver.
- Tempo, mano velho, falta um tanto ainda eu sei, pra você correr macio.
Segunda-feira, 13 de Abril de 2009
Velocidade
O tempo, este gozador. Pensa que não sabemos quão impotentes somos diante de sua impiedosidade.
Ri-se de nós, que tentamos nos estabilizar em seu abraço centrifugador.
Pobres perdidos, desnorteados de quando e porquê. Expectadores desta dimensão supersônica, à velocidade da perplexidade.
É tarde, e enquanto buscamos explicação, o tempo se vai mais uma vez.
Volta já, mas não se detém. Apenas até a próxima pergunta cambaleante, cuja resposta será sempre num pretérito que é de ninguém.
Quarta-feira, 1 de Abril de 2009
Abriu

Foi-se o sol que judiava, os longos feriados festivos, o início frenético do calendário útil, a reedição das promessas de começo, a nostalgia das lembranças do final, a expectativa contente das férias e viagens, a preocupação das contas pendentes do ano passado, foi-se a incerteza do porvir - já estamos. Tão cheios de não-saberes e quem-sabes e talvezes como sempre, mas agora, abertos.
Abriu o mês, a estação, a melhor parte do ano, o inferno astral. Abriu o novo livro, o novo desafio, a nova casa, a nova forma de amar.
Abriram-se portas, fecharam-se janelas. Abri-me, abriu-se uma passagem (começa em áries, termina em touro). Abre-te, sésamo. Abrirá um riso tolo, por saber-se tolo e querer-se tolo. Abriu a quarta casa do tabuleiro de doze. Abro mão dos conflitos, em troca das conquistas.Abro mão dos vinte e nove, pelos indiscutíveis trinta. Abro os braços para fazer comigo - e contigo - um país. Abre o ovo de chocolate, um vinho, a conta. Abrirá a ressureição que nos espera a todos.
Abriu, arejou, cansou, surpreendeu, entristeceu, repaginou. Foi ele, eu vi: abriu.
Segunda-feira, 23 de Março de 2009
Equinócio de Outono
Começos e finais se parecem numa característica curiosa: chegam com silêncio dentro do peito. O silêncio da expectativa de não saber. Não saber como sair dali, nos finais, e não saber como ir adiante, nos começos. Ambos deixam a interrogação sobre como alcançar o estágio seguinte. A respiração fica estranhamente calma, pois há algo que não nos pertence, seja em situações que escolhemos, seja em situações que nos escolhem. É um recolhimento involuntário e absolutamente preciso - necessário e exato. Somos tragados, desavisadamente.Sacudidos, nos lançamos um breve olhar auto-condescendente antes de aprender a nos olhar de um outro jeito.
Depois de ter início um começo, ou um final, tem início um silêncio interno. Mesmo fora acontecendo tudo ao mesmo tempo agora, a alma, com dedo indicador sobre os lábios, pede: shhhhhhh! Os pensamentos ficam longe, incertos, hesitantes. Não arriscam palpites assertivos, pois mergulham em águas desconhecidas e se ocupam de atravessar oceanos lentamente, subindo ocasionalmente à tona para um respirar menos turvo.
Só se escuta o tic-tac de um relógio de lógica própria. Só se veste aquela roupa pela qual todos nos conhecem, com nosso rosto e contornos, para continuar convivendo como se espera. A expectativa do mundo é muito importante nesses momentos, para o mundo. E o mundo no qual habitamos dentro, segue indiferente à balbúrdia da dimensão paralela que acontece fora.
Começos e finais - quase a mesma realidade, já que finais são novos começos, e começos, portas destrancadas depois dos finais - são eventos. Eventos não marcados de vermelho no calendário. Eventos que não viram feriados. Eventos que não se anuncia na tevê. Eventos translúcidos, aerados, gelatinosos, particulares. São íntimos desconhecidos que nos beijam enquanto dormimos, deixando apenas um vestígio de saliva morna no amanhecer outonal. Sensação de sonho, mas quando saímos da cama, o mundo nos olha diferente, e é este o momento onde, inevitavelmente, temos a certeza de que algo intocado, realmente, mudou.
Quinta-feira, 19 de Março de 2009
Una bella donna
Sorrisoencanto preciso
presente de dar
o lugar no mundo
Aviso
liberdade brindada
para desvelar
os melhores caminhos
Abraço
calor em forma
luz e gosto
para dormir, e sonhar feliz
Olhar
longe ou perto, faróis
dois sóis
Rubis de companhia
Prece
doce cântico de afeto
guia sereno, certo
seta e berço sem tempo
Amor
Asa, raiz, rumo
vôo, pouso, prumo
menina, mulher, Mãe.
Para Dona Maria José.
Quarta-feira, 11 de Março de 2009
É que Narciso acha feio o que não é espelho
- E se acaso, você fosse...
Uma palavra: honra
Um lugar: os que eu ainda não vi
Uma saudade: todos os Amigos
Um sentimento: saudade
Uma fraqueza: agressividade passiva
Uma liberdade: a dança
Uma vontade: ver e viver o mundo
Uma necessidade: me sentir amada
Um encontro: o céu e o chão
Um idioma: o inglês norte-americano, nova iorquino, de preferência
Uma verdade absoluta (se as houvessem): todos os seres humanos nascem e permanecem iguais
Um duelo: a razão e a emoção, deixando a emoção ganhar
Uma benção: o abraço
Uma divindade: um beija-flor, mensageiro de outros mundos
Um egoísmo: desejo de prosperidade em absolutamente tudo.
Um equívoco: o medo
Um medo: do nunca mais
Uma nacionalidade: brasileira pelo amor, espanhola pela vibração
Uma escolha: a minha verdade incoerente
Um lema: "tudo o que move é sagrado"
Uma posse: uma casa para plantar meus amigos e livros
Uma renúncia: amor a quem não me ama
Uma coragem: ser eu
Um sabor: um petisco, um aperitivo, com brisa, música e vista para o movimento da cidade
Um sonho real: paz na terra aos homens de boa vontade ou, comunicação verdadeira entre as pessoas
Uma eternidade: todos os momentos de entrega
Uma máscara: força
Uma certeza: a dúvida.
Um canto: "they're advertising in the skies for people like us" (City of Blinding Lights, do U2), entre milhares de outros.
Uma resposta: sim, valeu a pena.
Uma herança para o mundo: viver é deixar viver.
Rolando um diálogo interno...
Sexta-feira, 6 de Março de 2009
A Mulher do Ano Dois Mil
O Mirada ganhou de presente esta condecoração!Não é fofa???
Obrigada, Adelaide Queridona!
_____________________________
Ser mulher é muito mais do que nascer mulher. Muito mais do que um gênero inerente, o qual não se pede nem se escolhe, apenas se vive. Ser mulher é uma redescoberta recente que só pôde ser possível quando as mulheres começaram a ter espaço para ser elas mesmas.
Das desigualdades explícitas às desigualdades veladas, o caminho na busca deste "eu" continua para as mulheres, e com ele, também o nascimento de uma nova era para os homens.
As mulheres se reinventaram e, a partir disto, causaram no universo masculino a necessidade de reinventar a si mesmo. Os relacionamentos se reinventaram, as famílias se reinventaram, o mercado de trabalho se reinventou, a sociedade se transformou. Tudo com um toque da metamorfose galopante que tomou conta da realidade de ser mulher nas últimas décadas.
Aquela que antes ocupava a função única de coadjuvante dentro de sua vida e da vida dos que a cercavam, aprendeu que poderia viver o papel principal. E foi à luta. Venceu, e continua vencendo, seus próprios medos e tabus sabendo que a luta hoje, é outra. Tornou-se necessário saber lidar com o descriminação velada, à boca pequena nos corredores, ou dentro das casas e famílias.
A mulher é quase outra, e a sociedade que a cerca, também. Quase autônoma, quase independente, quase livre de pré-conceitos, quase bem remunerada, quase igual ao homem.
Talvez tenha ficado faltando o entendimento de que um homem e uma mulher não serão iguais jamais. A igualdade na qual se fala, é a igualdade que permite à mulher ser tão integralmente dona da sua vida quanto o homem, não a igualdade que pretende homogeneizar e transformar opostos numa mesma coisa.
Na igualdade de dois distintos, não haverão mulheres em locais remotos ainda vivendo em condições subumanas, nem tampouco esposas sendo agredidas por maridos que se julgam autorizados a usar força física para dominar e humilhar. Não haverão comentários jocosos sobre a mulher que vive com desinibição a sua sexualidade, ou mesmo seus impulsos de conquista amorosa. Não haverão empresas onde as subordinadas serão constrangidas por chefes sórdidos, ou funcionárias que se valerão de sedução para se favorecer diante de um superior, facilitando o caminho em busca de postos mais altos. Não haverão mulheres que rebaixarão outras mulheres meramente por serem...mulheres. Não haverão homens que rebaixarão mulheres. Não haverão, para as mulheres, limites incoerentes sob a justificativa de dado comportamento não ser "coisa de mulher", deixaremos para cada mulher decidir isso. Não haverão decisões de foro íntimo, como levar adiante, ou não, uma gravidez, sendo tomadas pelo estado ou igreja em nome das mulheres. Não haverá a ditadura de tipos físicos "ideais" - ditadura esta, alimentada pelas próprias mulheres - a ser perseguidos a qualquer preço. Não haverá indignidade.
Está muito mais nas mãos das mulheres do que dos homens, a igualdade desejada: aquela que respeita as diferenças, pois homens e mulheres não foram feitos para ser idênticos, somente para respeitar mutuamente seu idêntico valor. Ultrapassando machismos e feminismos, estará a individualidade de seres inteiros, e a parceria de gigantes que se olham nos olhos a partir de uma mesma altura.
A mulher do ano dois mil, que chegou depois da primeira etapa de luta por igualdade já conquistada, precisará se preparar, gradativamente, para ser mulher. Precisará se entender, se conhecer, se desvendar, se assumir, se amar, se merecer. Precisará dividir todas as suas descobertas com o mundo que a aguarda.
____________
Leia também: "Sexo Forte"
Segunda-feira, 23 de Fevereiro de 2009
Vida que Imita Arte
"Não são só as coisas certas e maravilhosas a seu respeito que são o seu dom, também as coisas que estão erradas em você podem ser seu maior dom. As coisas que não funcionam, e não se enquadram, e não se misturam é que te fazem único, te fazem ser você, e são o seu verdadeiro presente para o mundo.
(...)
No final das contas, tudo o que nós fazemos é uma tentativa de ser amados ou de amar. Dinheiro, sexo, poder, qualquer coisa que a gente use ou finja... Nossa raiva, nosso ódio, nossa alegria, qualquer elemento com o qual brinquemos para tentar aflorar no momento - nessa espécie de desespêro do último suspiro -, é disto que se trata o trabalho. Você (o ator) tem de estar disposto a viver ali. Não pode viver na raiva, ou no ódio...porque isto seria fazer de conta, não seria comunicar nossa alma ao mundo."
[A atriz Sharon Stone, ao transmitir em entrevista as últimas palavras de um de seus professores, já falecido, que, em seu momento final teve um breve despertar e disse a ela que o "outro lado" era lindo, que o propósito de tudo era o amor e que gostaria de poder dar uma última aula]
"53% da população são mulheres. Nós não somos uma minoria. É preciso ser responsável quanto a isso, é preciso votar, é preciso dizer a verdade sobre o que significa ser mulher, e não a idéia que algum cara queira ver a respeito.
O conceito de igualdade está em duas linhas, não em uma. São linhas distintas do mesmo valor. Não é preciso ser igual a um homem para ser tão valiosa quanto o homem. Não é preciso se comportar como eles para ter força e integridade, mas é preciso estar disposta a dizer a verdade."
[Sharon Stone, na mesma entrevista, atendendo ao pedido de que deixasse uma palavra às alunas da escola de artes cênicas às quais falava, sobre a vida da mulher no mundo criativo de hoje]
Todas as que vezes em que assisto a estas entrevistas com atores, onde eles deixam o lado purpurinado da coisa e realmente contam sobre suas "viagens" dentro do universo dramático, preparações para papéis, aprendizados consequentes e outras aventuras do gênero, me surpreendo com o quanto o ofício de ser ator se assemelha às nossas próprias vidas e com o quanto a preparação e a jornada para uma incursão dramática são parecidas com nossas odisséias particulares dentro deste mundo. Atores ou não - e no meu caso, não - estamos sempre construindo nossas personas e nossa passagem pela vida. Estamos sempre vivenciando nossos papéis e sendo surpreendidos pelas deixas dos outros personagens.
Fascinante a arte de aprender a ser pessoa.
Sexta-feira, 20 de Fevereiro de 2009
Elementais
Para a celebração,
o verão
Para a avaliação,
o outono
Para a leveza,
a primavera
Para a quietude,
o inverno
No verão , cuspir a vida pra fora
No outono, pensar se acabou ou tem mais
Na primavera, aceitar e compreender
No inverno, recolher o navio para o cais
Num ano acontecem
todas estações
Numa vida acontecem
todas estações
Num dia acontecem
todas estações
No pensamento acontecem
todas estações
Regendo
de dentro para fora
Trazendo
de fora para dentro
A estagnação, o movimento.
Eu e o verão, ebulição
Eu e o outono, nascimento
Eu e a primavera, amizade
Eu e o inverno, crescimento.
Vida, morte
Garra, sorte
Guerra, criação
Mito, imperfeição.
Quatro pontas, quatro centros, quatro vãos.
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A Actors Studio Drama School, sediada em Nova York, deu origem em 1994, ao programa televisivo Inside the Actors Studio, onde o anfitrião James Lipton já entrevistou centenas de convidados entre atores e diretores proeminentes na cena norte-americana, sempre diante de uma platéia de estudantes da universidade.
Ao final, todos respondiam, à sua maneira, a um questionário que Lipton gostava de emprestar do entrevistador francês Bernard Pivot, a quem chamava de ídolo.
Eis o questionário:
1.Qual sua palavra preferida?
2.Qual a palavra que menos gosta?
3.Qual som ou barulho você ama?
4.Qual som ou barulho você odeia?
5.Qual seu palavrão favorito?
6.O que o excita?
7.O que o repugna?
8.Qual profissão, além da sua, gostaria de exercer?
9.Qual profissão não gostaria de exercer jamais?
10.Se o céu existe, o que gostaria que Deus lhe dissesse ao chegar aos portões do Paraíso?
Hein?
Ao final, todos respondiam, à sua maneira, a um questionário que Lipton gostava de emprestar do entrevistador francês Bernard Pivot, a quem chamava de ídolo.
Eis o questionário:
1.Qual sua palavra preferida?
2.Qual a palavra que menos gosta?
3.Qual som ou barulho você ama?
4.Qual som ou barulho você odeia?
5.Qual seu palavrão favorito?
6.O que o excita?
7.O que o repugna?
8.Qual profissão, além da sua, gostaria de exercer?
9.Qual profissão não gostaria de exercer jamais?
10.Se o céu existe, o que gostaria que Deus lhe dissesse ao chegar aos portões do Paraíso?
Hein?
Sexta-feira, 13 de Fevereiro de 2009
À nós, pecadores
Ganhei de presente do Carlos Queridão a oportunidade de falar sobre a presença dos 7 Pecados Capitais - que surgiram antes do cristianismo, mas foram adotados depois pelo catolicismo - na minha vida.
Pela regra, eu devo publicar as minhas respostas e indicar outras pessoas para fazer o mesmo. Ocorre que regra só foi feita mesmo para ser quebrada, assim, convido todos que se afinizarem com o tema (riquíssimo), a participar. Estarei muito interessada nas respostas!
Soberba
Seria o popular "nariz empinado", mas, nas atitudes. Um se julgar superior, do qual eu, definitivamente, não padeço (até porque não seria fácil empinar este nariz). Porém, imagino que meus momentos tolerância zero possam estar sujeitos a esta interpretação pelos mais desavisados. Ou quem sabe até, pelos avisados. Outro "defeito" meu que adora se fazer passar por soberba, é a distração (acompanhada de uma senhora miopia). As pessoas tendem a se superestimar, e sempre acham que é com elas quando você pode, simplesmente, não estar prestando atenção...
Avareza
Eu não divido sobremesa! Não empresto o Hortêncio (meu mais novo mascote), não empresto as pessoas que eu amo (olha o delírio, como se fossem posses e fossem minhas para emprestar ou não). No mais, no quesito empréstimo, se eu souber que o quê foi vai voltar inteiro, empresto até cds, livros, dvds de estimação. Divido até dinheiro, o difícil vai ser eu ter. Divido as mais sinceras opiniões, e os melhores e piores sentimentos. É que antes eu preciso te conhecer (não nego a raça taurina) e, se possível, gostar de você.
Luxúria
Eu não posso não copiar a resposta do Carlos, porque foi simplesmente perfeita! rs
Já dizia Nelson Rodrigues : “Tarado é toda pessoa normal pega em flagrante”. Bem... er... hum... acho que nunca fui pego em flagrante...
Acrescento que excesso de vontade está desclassificado como pecado, da minha lista. Ainda segundo o Michaelis, luxúria é a "corrupção de costumes, lascívia, sensualidade." E eis que surgiu, lá nos idos, um pessoal invejoso até os ossos que resolveu: se eles não podiam, ninguém poderia. Roam-se.
Ira
Este é, provavelmente, o meu preferido. Aquela vontade de matar, afogar, trucidar, estapear, chacoalhar, envenenar, pisotear, fazer ouvir até a última música do cd do Calypso. Enfim, um destempêro que acomete de repente e, por alguns segundos, tira a razão da frequência operante. Um terremoto, que com a mesma insensatez que veio, vai. Mea culpa.
Gula
O pecado que eu renego até a morte. Mas adoro comer, acho que é uma das melhores coisas desta vida terrena. Atire o primeiro potinho de Danette, a primeira garfada de lasanha, o primeiro pedaço de carne do strogonoff, quem nunca passou mal por se empolgar demais ao desfrutar uma refeição. E toda pessoa que gosta de comer, em algum momento acaba se tornando um guloso. Eu acho que, desde que você não esteja deixando ninguém sem almoço com a sua gula, então não conta. Próximo.
Inveja
Tenho. Mas nada que vá deixar ninguém bocejando se eu chegar perto. De todos os corpos perfeitos, cabelos perfeitos, peles perfeitas, sorrisos perfeitos, olhos claros perfeitos, contas correntes perfeitas, carreiras perfeitas, vidas perfeitas... nossa, que tédio! Pensando bem, não tenho não. Deixa cada um com a sua perfeição, que eu vou correr atrás do meu lucro. Estou aqui para quê?
Preguiça
Veja bem, se eu, ocasionalmente, mandasse o cachorro lá fora para saber se está chovendo, isto faria de mim uma pessoa preguiçosa?
Pela regra, eu devo publicar as minhas respostas e indicar outras pessoas para fazer o mesmo. Ocorre que regra só foi feita mesmo para ser quebrada, assim, convido todos que se afinizarem com o tema (riquíssimo), a participar. Estarei muito interessada nas respostas!
De acordo com o dicionário Michaelis
Pecado: 1 Transgressão de lei ou preceito religioso. 2 Transgressão de qualquer preceito ou regra. 3 Demônio, tentador. 4 Culpa, defeito, falta, vício. 5 Mulher tentadora.
Pecados capitais: vícios capitais
Vício: 1 Defeito físico ou moral; deformidade, imperfeição. 2 Defeito que torna uma coisa ou um ato impróprios, inoperantes ou inaptos para o fim a que se destinam, ou para o efeito que devem produzir. 3 Falta, defeito, erro, imperfeição grave, viciação, viciamento. 4 Disposição ou tendência habitual para o mal. 5 Hábito de proceder mal; ação indecorosa que se pratica por hábito. 6 Costumeira. 7 Costume condenável ou censurável. 8 Degenerescência moral ou psíquica do indivíduo que, habitualmente, procede contra os bons costumes, tornando-se elemento pernicioso ao meio social, ou com este incompatível. 9 Desmoralização, libertinagem.
Vícios capitais: os sete vícios chamados capitais por serem considerados a origem de todos os outros: soberba, avareza, luxúria, ira, gula, inveja e preguiça.
Pecado: 1 Transgressão de lei ou preceito religioso. 2 Transgressão de qualquer preceito ou regra. 3 Demônio, tentador. 4 Culpa, defeito, falta, vício. 5 Mulher tentadora.
Pecados capitais: vícios capitais
Vício: 1 Defeito físico ou moral; deformidade, imperfeição. 2 Defeito que torna uma coisa ou um ato impróprios, inoperantes ou inaptos para o fim a que se destinam, ou para o efeito que devem produzir. 3 Falta, defeito, erro, imperfeição grave, viciação, viciamento. 4 Disposição ou tendência habitual para o mal. 5 Hábito de proceder mal; ação indecorosa que se pratica por hábito. 6 Costumeira. 7 Costume condenável ou censurável. 8 Degenerescência moral ou psíquica do indivíduo que, habitualmente, procede contra os bons costumes, tornando-se elemento pernicioso ao meio social, ou com este incompatível. 9 Desmoralização, libertinagem.
Vícios capitais: os sete vícios chamados capitais por serem considerados a origem de todos os outros: soberba, avareza, luxúria, ira, gula, inveja e preguiça.
Soberba
Seria o popular "nariz empinado", mas, nas atitudes. Um se julgar superior, do qual eu, definitivamente, não padeço (até porque não seria fácil empinar este nariz). Porém, imagino que meus momentos tolerância zero possam estar sujeitos a esta interpretação pelos mais desavisados. Ou quem sabe até, pelos avisados. Outro "defeito" meu que adora se fazer passar por soberba, é a distração (acompanhada de uma senhora miopia). As pessoas tendem a se superestimar, e sempre acham que é com elas quando você pode, simplesmente, não estar prestando atenção...
Avareza
Eu não divido sobremesa! Não empresto o Hortêncio (meu mais novo mascote), não empresto as pessoas que eu amo (olha o delírio, como se fossem posses e fossem minhas para emprestar ou não). No mais, no quesito empréstimo, se eu souber que o quê foi vai voltar inteiro, empresto até cds, livros, dvds de estimação. Divido até dinheiro, o difícil vai ser eu ter. Divido as mais sinceras opiniões, e os melhores e piores sentimentos. É que antes eu preciso te conhecer (não nego a raça taurina) e, se possível, gostar de você.
Luxúria
Eu não posso não copiar a resposta do Carlos, porque foi simplesmente perfeita! rs
Já dizia Nelson Rodrigues : “Tarado é toda pessoa normal pega em flagrante”. Bem... er... hum... acho que nunca fui pego em flagrante...
Acrescento que excesso de vontade está desclassificado como pecado, da minha lista. Ainda segundo o Michaelis, luxúria é a "corrupção de costumes, lascívia, sensualidade." E eis que surgiu, lá nos idos, um pessoal invejoso até os ossos que resolveu: se eles não podiam, ninguém poderia. Roam-se.
Ira
Este é, provavelmente, o meu preferido. Aquela vontade de matar, afogar, trucidar, estapear, chacoalhar, envenenar, pisotear, fazer ouvir até a última música do cd do Calypso. Enfim, um destempêro que acomete de repente e, por alguns segundos, tira a razão da frequência operante. Um terremoto, que com a mesma insensatez que veio, vai. Mea culpa.
Gula
O pecado que eu renego até a morte. Mas adoro comer, acho que é uma das melhores coisas desta vida terrena. Atire o primeiro potinho de Danette, a primeira garfada de lasanha, o primeiro pedaço de carne do strogonoff, quem nunca passou mal por se empolgar demais ao desfrutar uma refeição. E toda pessoa que gosta de comer, em algum momento acaba se tornando um guloso. Eu acho que, desde que você não esteja deixando ninguém sem almoço com a sua gula, então não conta. Próximo.
Inveja
Tenho. Mas nada que vá deixar ninguém bocejando se eu chegar perto. De todos os corpos perfeitos, cabelos perfeitos, peles perfeitas, sorrisos perfeitos, olhos claros perfeitos, contas correntes perfeitas, carreiras perfeitas, vidas perfeitas... nossa, que tédio! Pensando bem, não tenho não. Deixa cada um com a sua perfeição, que eu vou correr atrás do meu lucro. Estou aqui para quê?
Preguiça
Veja bem, se eu, ocasionalmente, mandasse o cachorro lá fora para saber se está chovendo, isto faria de mim uma pessoa preguiçosa?
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